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O título deste post pode ser considerado um pouco enganador. Na verdade eu não posso oferecer nenhuma solução mágica para deixarmos todos de ter lesões relacionadas com o esforço físico. No entanto, há uma solução natural para corrermos melhor - e quando digo melhor, estou a referir-me a corrermos de modo mais natural, fisiologicamente mais adequado. 

 

Mas antes de entrar no assunto propriamente dito, há que falar da maneira como um jogger habitualmente corre. Um jogger "normal" tem a tendência a fazer o seguinte:

  • Comprar ténis com muito suporte (leia-se borracha) na sola, sobretudo na área do calcanhar. Supostamente o suporte extra (que pode inclusivé incluir molas!) ajuda o pé a suportar o impacto do calcanhar com o solo. 
  • Correr suportando a passada no calcanhar - ou seja, iniciar a passada com um primeiro contacto ao solo na parte anterior do pé e só depois deixando cair o pé para a frente. Isto leva a que as forças sejam absorvidas sobretudo pelo calcanhar e pelo esqueleto ligado ao calcanhar (e mais acima, aos joelhos e ancas). 

Durante muitos anos não houve grande discussão sobre este modo de correr. Parecia natural que quanto mais almofadado fosse o ténis de corrida, menos impacto se sofreria da passada, ao ponto de um dia caminharmos nas nuvens, sem sentir a estrada... 

 

Claro que isso nunca aconteceu. O que aconteceu foi os corredores continuarem a lesionar-se, por mais sofisticados que os sapatos de corrida fossem. As lesões mais comuns, nos joelhos, aumentaram mesmo ao longo dos anos, à medida que a tecnologia dos ténis também aumentava. 

 

Recentemente, e combatendo esta tendência, apareceu um grupo denominado de "minimalistas", que defendem a corrida com passada natural e advocam mesmo (os mais radicais) que corramos descalços! 

 

Pode parecer chocante. Mas basta dizer-vos que uma certa senhora chamada Paula Radcliff tornou-se fã deste tipo de corrida, preparando os seus treinos em relva. Porquê relva? Porque a relva é claramente o melhor piso para corremos descalços (ou com ténis minimalistas, como os Nike LunnarLite). 

 

Então e nós, que não somos como a Paula, o que podemos fazer?

 

Simples. Podemos potenciar os mesmos princípios e evitarmos lesões: 

  • Correndo com sapatos pouco almofadados. Aconselhos os Lunar Glide ou outros parecidos. Há quem vá mesmo ao eBay procurar ténis antigos, que tinham muito menos protecção. Isto potencia a passada natural do pé. 
  • Podemos treinar descalços na relva. Isto melhora os nossos músculos do pé (sobretudo por debaixo do pé). 
  • Podemos usar uma passada forefoot - ou seja, não iniciarmos a passada com o calcanhar, mas com a parte posterior do pé. O modo mais natural de correr é evitando que o calcanhar toque sequer o solo durante a passada!

Mas atenção: quem quer mudar de passada tem de ter em atenção que este é um processo perigoso, que deve ser empreendido com todo o cuidado.

 

O corpo está habituado a uma determinada maneira de correr e mudar repentinamente pode fazer mais mal do que bem. Por isso mesmo, é preciso fazer a mudança de passada progressivamente. Por exemplo nas primeiras sessões, correr apenas um terço da mesma em forefoot e depois ir aumentando a frequência. Falo por experiência própria, porque ao mudar de passada lesionei-me nos gémeos com alguma gravidade. 

 

Mas teremos oportunidade de voltar a este assunto, que para mim é simplesmente fascinante e está na ordem do dia a nível mundial.

 

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publicado às 09:33


4 comentários

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De Miguel a 10.02.2010 às 11:35

Confesso que não conhecia sequer o conceito! Contudo parece-me que não será fácil mudar a passada... só experimentando!
Quanto aos ténis: esses das molas são usados para correr por gente que um dia se lembra de ir dar uma corrida e depois esquece! Enfim... eu tenho um Nike StartZoom 2009 e estou satisfeito. São leves, muito maleáveis e a sola é simples. Conheço quem use os Asics Tiger Gel e dão boas referências!! Mas descalço... bom, só mesmo na relva!!
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De CityJogger a 10.02.2010 às 11:39

Olá Miguel. O forefoot running está a pegar em força nos Estados Unidos. E há mesmo quem corra descalço, ou com sapatos minimalistas. Um dos grandes gurus do pé descalço chama-se Barefoot Ted: http://www.barefootted.com/

A tradição parece vir dos nossos antepassados, que não usavam calçado, ou usavam peles de animais apenas para protecção da pele - mas que não serviam para proteger a passada do solo, precisamente o contrário.

Mas concordo, descalço só mesmo na relva. Mas acredite que há muitos maratonistas que começam a treinar assim. Parece incrível, mas fortalece os músculos do pé e pode-se mesmo diminuir um tamanho de ténis! Vou com certeza voltar a este tema no futuro.
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De Paulo Silva a 12.02.2010 às 04:31

Olá, algumas considerações

Realmente o título é enganador

Não existe um único estudo que prove inequivocamente que o calçado desportivo previne ou evita lesões desportivas.
De igual modo não existe nenhum estudo que prove inequivocamente que correr descalço evita ou previne lesões desportivas.
Os investigadores sabem que o calçado desportivo afecta de forma consistente alguns dos parâmetros que se suspeita poderem contribuir para o aparecimento das lesões, este facto é revelado em inúmeros estudos, mas não se pode afirmar que o calçado previne as lesões, simplesmente porque a ciência baseia-se em factos e não em suposições.

Dizer que as lesões aumentam à medida que a tecnologia aumenta é "esquecer-se", que o tempo médio de uma maratona dos anos 80 para hoje aumentou de 3 para 4,5 horas, significando que cada vez existem pessoas menos preparadas a correr (com maiores probabilidades de se lesionarem)

Dizer que a Paula Radcliff tornou-se fã da corrida descalça, preparando os seus treinos em relva é esticar um bocado a verdade, esquecendo-se de dizer "alguns treinos na relva como parte da sua preparação", não é exactamente o mesmo.


Não me leve a mal, defendo correr descalço, como complemento (o problema é que o ser humano inventou as superfícies lisas e duras, contrariando a natureza do funcionamento do pé; em superfícies irregulares).

Só uma achega
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De CityJogger a 12.02.2010 às 08:49

Olá Paulo.

Todas as achegas são bem-vindas :)

Este blog é escrito de um ponto de vista muito pessoal, e baseia-se sobretudo nas minhas experiências enquanto jogger. Se defendi demasiado o forefoot running, foi talvez porque para mim foi uma saída de uma série de lesões que tive durante anos (tendinites em ambos os joelhos, ambos os tendões de aquiles e plantar fascitis). Agora corro de maneira mais saudável e penso que isso em muito se deve à mudança do estilo da passada.

Mas estou plenamente aberto à discussão. Obrigado pela sua colaboração! Abraço!

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