porque o melhor da vida passa a correr
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publicado por CityJogger, em 13.01.12 às 14:34link do post | favorito

 

Uma das principais lições que aprendemos na nossa carreira de corredores é a ouvir o nosso corpo. Já perdi o número de vezes que, ao correr, subtis sensações físicas me deram a entender exactamente o que estava a passar com diferentes partes de mim. Um ligeiro cansaço reflectido no ritmo da respiração, ligeiras dores de esforço nos membros inferiores ou mesmo cansaço ligeiro em termos de focagem dos olhos - tudo isto pode indicar que a corrida deve ser ajustada em tempo real para que não tenhamos lesões. 

 

No dia-a-dia podemos aplicar os mesmos princípios. Penso que os corredores são especialmente habilitados para ouvir o seu próprio corpo, pois deixamos de poder ignorar os sinais às vezes mínimos, que ele nos transmite. Seja uma ligeira dor de costas, uma dor de cabeça ou um stress localizado muscular, o corredor experiente aprende a entender o significado de todos eles e como lidar com eles, muitas das vezes com antecipação face a uma "pessoa normal". 

 

Esta é, penso, uma das grandes vantagens desconhecidas de correr. 


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publicado por CityJogger, em 18.10.11 às 20:06link do post | favorito

 

Não há grandes dúvidas que o melhor treino é aquele treino continuado em que a nossa performance cresce ou decresce de acordo com as cargas físicas que nos propomos ultrapassar. Não há melhoria sem treino - isso é uma evidência. 

 

No entanto, em certas ocasiões, o melhor treino pode ser mesmo deixar de treinar. Estou-me a referir nomeadamente nos períodos antes de grandes provas - 10K, 20K ou mesmo maratonas - em que podemos deixar de treinar para estarmos frescos no dia da prova. Há um grande mito em torno do que pode acontecer quando deixamos de treinar, se perdemos realmente a forma... A verdade é que é impossível perder a forma em pouco tempo de ausência de treino. A memória muscular mantém-se durante algum tempo mesmo depois de deixarmos de correr e não é uma pausa de alguns dias que nos faz ficar fora de forma. 


Estou a preparar-me para uma corrida de 10K no próximo Domingo e, por isso mesmo, esta semana vou correr apenas uma vez em vez das habituais 4 vezes. Deste modo quero assegurar que no dia da prova estou na maior frescura física possível. 

 

Lembrem-se que o descanso é uma parte essencial de qualquer treino. Sem descanso não há recuperação, sobretudo para provas de maior duração. 

 

Boas corridas!


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publicado por CityJogger, em 10.07.11 às 18:47link do post | favorito

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

O maior medo de um corredor (ou de qualquer desportista em geral) é contrair uma lesão. Correr com uma lesão não é fácil, mas às vezes torna-se necessário para a debelar. Vamos falar um pouco sobre isto.

 

Há lesões e lesões. As mais comuns nos corredores são as musculares, em que o tecido muscular (sobretudo das pernas) sofre um rompimento ou estiramento que provoca dores ao caminhar e correr, tornando impraticável praticar desporto. Muitas das vezes, sobretudo nas lesões mais comuns, as dores são causadas por inflamações no tecido muscular, que podem ser combatidas eficazmente com gelo ou anti-inflamatórios. Noutros casos, mais raros, pode haver necessidade de intervenções cirúrgicas e/ou fisioterapia adequada. Agora vamos apenas falar dos casos mais comuns, de lesões musculares com efeitos inflamatórios.

 

Muitos corredores sofrem distensões musculares, provocadas por esforço. É quase inevitável sofrê-las, por muito que tenhamos cuidado, porque o desporto regular aplica pressão no tecido muscular e este, enquanto tecido vivo, resiste de maneira diferente a esforços diferentes, sobretudo ao longo do tempo. Isto leva a que, regularmente, ceda perante essa pressão, por mais tonificado que se encontre. 

 

O que fazer quando nos lesionamos? Há a primeira fase de curar a lesão. Parar de correr e curar a lesão. Julgo que parar é, desde logo, a melhor opção, por muito que custe. Uma lesão muscular simples cura-se nesta primeira fase numa semana, com gelo e anti-inflamatórios. Mas - e isto é muito comum - a dor continuará durante algum tempo. Isto justifica-se pela cicatrização da área afectada que tem de recuperar a sua forma antiga. Não há que ter medo da dor. A segunda fase da cura é precisamente ajustar-se a correr com essa dor e esse desconforto. É preciso ajustar a corrida - fazer menos distância e/ou usar menor velocidade - mas progressivamente vamos ficar melhores e a dor vai passar. 

 

Entretanto é preciso aceitar a realidade que teremos de correr com uma lesão. Todos os corredores se lesionam e todos têm de aprender a lidar com esta realidade. 

 

 

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publicado por CityJogger, em 03.04.11 às 21:47link do post | favorito

 

Por vezes o mais difícil para quem corre é a evolução entre distâncias. Sobretudo para os corredores amadores é muito complicado arranjar planos de treino (e motivação) para avançar para fases mais complexas, mas estamos aqui para ajudar. 

 

Primeiro que tudo devo esclarecer que, para mim, os 10K (10 quilómetros) já são uma distância muito respeitável. Aliás, penso que existem muitas pessoas que treinam 10K e não passam dessa distância para a meia-maratona (20K). Isto porque os 10K são como que a distância confortável, para a maioria dos corredores amadores. Depois dos 10K começam a acontecer coisas bastante curiosas com o corpo, nomeadamente a acumulação de ácido láctico, para além de acrescida fadiga muscular e psíquica. Sempre é metade de uma maratona...

 

Há outra coisa que me preocupava bastante ao ponto de não me querer aventurar nos 20K: os pés. Pela minha experiência, é a partir dos 10K que os pés começam a sofrer mais, sobretudo com calos e feridas e eu não suporto dores nos pés a correr. Isso assustava-me bastante, mas, como irão ver, deu para pôr em prática uma dica que já aqui publiquei e que funciona!

 

Treinei-me para a corrida em Cascais no passado mês, mas infelizmente não puder ir no dia da corrida, por indisposição. Mas isso não anulou o facto de eu ter feito o meu primeiro treino de 20K. E realmente acho que esse é passo essencial: experimentar. Por muito que pensem que não vão aguentar, o meu conselho é mesmo tentarem. Vão - com certeza - ficar todos rebentados no final. Mas pelo menos é uma estrela que podem pôr no peito, uma autêntica medalha de bravura. A partir daí poderão participar em meias-maratonas sem medo de não terminarem. Pela minha experiência poderão manter o ritmo dos 10K sem problema, e fazer uma média de 2x o tempo dos 10K que costumam fazer (eu tenho uma média de cerca de 53m aos 10K e fiz 1h49 aos 20K. Nada de extraordinário, mas respeitável, acho, para a minha idade). 

 

Portanto, primeiro passo: façam os 20K. Sem medo. 

 

Segundo passo: protejam os pés. Antes de correr bezuntem a planta do pé com bastante alcóol. O pé fica mais seco e sem gordura, ideal para impedir a formação de calos. E funciona maravilhosamente. 

 

Já agora, não se esqueçam de se hidratarem bastante antes de começar e usar bastante protector. É essencial dobrar os cuidados, porque a distância é também a dobrar. Mas a moral da história é que quem faz 10K faz 20K. Não há que temer a distância. E dentro em breve, talvez alguns meses, espero dobrar os 20K. Vamos lá a ver como vai funcionar e na altura cá estarei para dar as minhas dicas sobre a experiência :)

 


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publicado por CityJogger, em 26.02.11 às 14:06link do post | favorito


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publicado por CityJogger, em 19.02.11 às 14:54link do post | favorito

 

Já está nas bancas o guia "Coach" da Men's Health dedicado ao running. Devo dizer que é um trabalho bem conseguido, exaustivo, mas apenas aconselhável aos amadores. Reune boas dicas, mas não vai a um nível além do de iniciante, o que é uma pena porque o arranjo gráfico está excelente e os conteúdos bem escritos. Por isso o título "tudo sobre running" é um pouco enganador (especialmente por 4 euros!).

 

Curiosamente fala-se lá de muitas coisas que já toquei aqui no blog: ritmos, equipamento, etc. Há uma coisa que devo dizer que no entanto me surpreendeu foi não haver muitos conselhos médicos e por, a certa altura, dizerem que os praticantes de corrida iniciantes deviam usar o calcanhar como primeiro contacto com o chão na passada. Parece-me um bocado irresponsável colocar uma coisa destas numa edição especializada, sobretudo quando já existem muitos estudos em contrário...


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publicado por CityJogger, em 20.01.11 às 14:21link do post | favorito

 

Como já anunciei, comprei há pouco uma passadeira onde comecei a fazer os meus treinos durante a semana. Ora, o que eu não estava à espera era de um aspecto menos negativo do uso da mesma: ansiedade de corredor :-|

 

Eu explico: geralmente correr na rua é um exercício bastante motivador. Às vezes a parte complicada é sairmos de casa para ir correr e não propriamente o acto da corrida em si. Já na passadeira, as coisas invertem-se completamente. Passamos a ter de nos motivar durante a corrida, o que se torna num desafio bastante interessante.

 

Experimentei ouvir música... experimentei ver televisão... mas nada estava a resultar. Realmente tornou-se uma experiência muito frustrante. Mas acho que já comecei a perceber a psicologia da passadeira, por assim dizer. O facto é que para nos motivarmos a correr num espaço fechado, não há nada realmente indicado a que possamos recorrer. Nenhuma ajuda externa pode obviar ao facto de não termos distracções visuais activas (como a paisagem a passar).

 

Cheguei à conclusão que podia pensar nas coisas ao contrário. Se não podemos distrair-nos, podemos tentar não ficar desmotivados, ou seja, atacar o problema na sua raiz. E a raiz do problema está no facto de vermos o tempo a passar. O meu conselho: tirem o relógio do ecrã da passadeira e substituam-no pelo contador de distância. Penso que é realmente a única coisa que pode realmente ajudar, porque nos tira o foco dos minutos a passar e podemos ocupar o pensamento com outras coisas (ou esvaziá-lo totalmente).


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publicado por CityJogger, em 12.01.11 às 11:15link do post | favorito

 

Uma dica rápida para quem correr no exterior no Inverno, no que respeita às mãos frias, é muito simples de aplicar: usem luvas e façam punhos. A tendência natural poderá ser a de correr com as mãos abertas (sobretudo para avançar o corpo), mas mecanicamente e em termos de gerar calor nas mãos, fazer punhos ajuda muito a uma corrida mais confortável.

 

Experimentem e não vão querer outra coisa!


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publicado por CityJogger, em 05.01.11 às 22:12link do post | favorito

 

Devo começar por fazer um disclaimer: sou agora o feliz proprietário de uma novíssima passadeira de corrida :)

 

O aviso serve sobretudo para me darem um desconto se eu parecer demasiado entusiasmado. Mas de facto tenho de há vários meses para cá planeado cuidadosamente esta compra, porque era realmente algo que eu necessitava para optimizar os meus treinos de corrida. Porquê? Porque cada vez mais estava a ficar demasiado stressado para manter os meus treinos durante a semana, por falta de tempo, e ter uma passadeira em casa permite-me correr quando quero, de maneira muito mais rápida e flexível - mesmo no Inverno basta-me vestir uns calções e uns ténis e ir correr. Também me permite evitar os perigos das corridas nocturnas (sobretudo em zonas sem iluminação pública) e os dias de chuva.

 

Mas há pontos negativos: a corrida na passadeira não cansa tanto quanto a corrida na rua - é bastante simples de compreender que parte do esforço está a ser exercido pelo motor da máquina e não pelas minhas pernas, o que, necessariamente, me levará a ter de correr mais tempo para obter o mesmo rendimento mecânico a que estava habituado. Também se torna mais monótono correr na passadeira. Não há cães, obstáculos, pessoas a passarem por nós, aviões ou a lua no céu para onde olhar...

 

Ao pesar os prós e os contras, o meu conselho é que adquiram uma se puderem, mas não abdiquem da corrida no exterior. O que eu vou fazer de aqui em diante é correr na passadeira durante a semana (2 treinos) e fazer um treino exterior ao fim-de-semana, mais cedo. Assim permite-me ter o melhor dos dois mundos: o conforto e a flexibilidade da passadeira quando chego tarde do emprego e o ar fresco e o desafio mecânico e visual do exterior aos fins-de-semana.

 

Ah... e já agora tentem encontrar um bom negócio se quiserem comprar uma passadeira. Procurem uma que pareça bem forte, preferencialmente que tenha velocidades superiores a 16km/h (mesmo que não usem essa velocidade, é sinal de um motor robusto) e superfície de amortecimento também fortalecida. Em muitas lojas de desporto há bons negócios, sobretudo em modelos de exposição, pelo que sugiro que investiguem e procurem modelos com desconto - geralmente passadeiras mais caras ficam por vender e baixam de preço depois de 4/5 meses, às vezes para quase metade do preço. Uma dica final: se a passadeira que vão comprar é a última (chamada "de exposição"), peçam um desconto adicional, eu consegui 100 euros de desconto só por causa disso!


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publicado por CityJogger, em 22.12.10 às 09:20link do post | favorito

 

Correr no Inverno é sempre um problema para os corredores, sejam eles amadores ou profissionais. Além dos desafios próprios da estação - pisos escorregadios, chuva, vento, menos visibilidade, maior perigo na estrada - há a questão essencial de nos termos de motivar para ir correr. É certamente mais fácil ir correr quando está um dia óptimo, cheio de sol lá fora.

 

Eu penso que a motivação não tem propriamente a ver com as estações do ano. Pelo menos não tem sido essa a minha experiência. A motivação tem a ver com o estabelecimento de um ritual de corrida que, ao se tornar uma rotina, já não é tão facilmente quebrado em dias que nos apetece realmente ficar mais em casa e não ir sair para correr. Este ritual estabelece-se no início dos nossos treinos, quando começamos a correr mais a sério e nos empenhamos em correr um determinado número de vezes por semana.

 

Tem tudo a ver também com objectivos.


Devem perguntar-se a vós próprios quais são os vossos objectivos com a corrida. Podem ser objectivos muito específicos, por exemplo perder peso, ou objectivos mais abstractos como por exemplo relaxar depois de um dia stressante no trabalho. Seja como for, o facto de chover não deve (e não vai) interferir com o facto dos objectivos estarem traçados a priori. Acredito sinceramente que este será o caso para a maioria dos corredores que estão habituados já a uma rotina de corrida semanal.

 

Se não têm essa rotina, ou se a quebram frequentemente, então o problema não é de motivação, mas de organização. Primeiro é preciso ter a rotina, sem ela haverá sempre problemas psicológicos a interferirem com o ritmo dos treinos.

 

A fase inicial de estabelecimento da rotina é realmente a mais complicada. Mas acreditem que depois de alguns meses de não a quebrarem, quando chega a altura do Inverno (ou apenas dias mais feios) vocês não vão ter a vontade de a quebrar - a rotina torna-se, cerebralmente, mais importante que o desconforto de sair à chuva. Elementos adicionais de conforto serão, obviamente, estarem bem equipados para correr à chuva - terem por exemplo uns ténis impermeáveis ou pelo menos de backup para serem molhados e um bom impermeável para não se molharem todos. Se se sentirem confortáveis a correr à chuva, tudo será mais fácil.

 

E lembrem-se sobretudo do facto de que cada corrida que é feita num desconforto maior prova a vocês mesmos que é possível superar a inércia que vos invade nessas alturas. Correr à chuva é, por esta razão, uma razão extra de motivação quando vocês conseguem realizar estes treinos mais difíceis. É nos dias piores (em que não nos apetece mesmo) que nós confirmamos a rotina de treino e confirmamos a nós próprios que a corrida já tem um papel importante na nossa vida e que não vamos desistir desta prática.

 

Boas corridas à chuva!




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