porque o melhor da vida passa a correr
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publicado por CityJogger, em 28.10.10 às 21:35link do post | favorito

 

No passado dia 24 completei a minha segunda Corrida do Tejo. Corri pela primeira vez em 2008, faltei em 2009 por causa de uma lesão e agora voltei em 2010.

 

Devo dizer que é sempre uma emoção especial competir. Sou muito solitário nos meus hábitos de corrida e, diga-se de passagem, insisto bastante em correr sozinho porque isso faz parte do meu ritual de treino. Uma corrida com 10.000 pessoas é uma mudança radical, física e emocional. Por muito que eu me quisesse conter - e levar as coisas nas calmas, isso torna-se impossível. Nestas grandes corridas há sempre a tendência, pelo menos para mim, de fazer ultrapassagens e sobretudo de fixar determinadas pessoas na corrida que se quer acompanhar e/ou ultrapassar.

 

Talvez seja só eu que sou competitivo :)

 

Seja como for, o balanço deste ano foi bastante positivo. Fiz um tempo muito bom para mim, à volta dos 53 minutos, com uma média bastante rápida por Km, comparando com o que costumo fazer nos meus treinos. A partida correu bem, com os habituais 2, 3 minutos de andamento até arrancar, mas depois correu tudo bem. A primeira subida foi bastante sofrida e o calor apertou bastante (estou mais habituado a correr à tarde do que de manhã e acho que isso tem a sua influência), mas as garrafinhas de águas souberam muito bem despejadas pela cabeça abaixo.

 

Vi muitas pessoas "mais velhas" a correr e devo dizer que isso me deixou extremamente contente. Algumas passaram por mim como se eu estivesse parado e isso ainda me deixou mais contente. Afinal há esperança de melhorar os tempos com a idade :D Fora de brincadeira, é muito positivo ver pessoas que apostam na saúde e que estão em tão boa forma nos seus 60 e muitos anos. Simplesmente fantástico!

 

A multidão de canarinhos (parece que foi a alcunha para esta ano, devido às camisas berrantes!) lá foi avançando, com algumas desistências pelo caminho - ouvi comentar que mais do que o habitual, será que foi pelo calor excessivo do dia? - e houve momentos de boa disposição até ao final. Pela minha parte tudo correr espectacularmente bem, porque não me lesionei e fiz um bom tempo pessoal, sem qualquer lesão.

 

Para o ano lá estarei novamente. Tive pena que a organização não desse os videos da chegada (como em 2008), mas a corrida pareceu-me novamente bem organizada e eficiente. É o que se pede a uma organização. Deu ainda para ver o Obikwelu entregar os prémios das senhoras (que fizeram 33 minutos aos 10Km!!!), com a Rosa Mota em pano de fundo. Um dia em cheio, que me deixou bem disposto para toda a semana. Afinal é para isto mesmo que a corrida serve - para melhorar a nossa saúde e a nossa condição mental.

 

E a vossa Corrida do Tejo como "correu"? :) Deixem os vossos comentários!


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publicado por CityJogger, em 16.10.10 às 15:07link do post | favorito

 

A Corrida do Tejo está quase aí (é já no próximo fim-de-semana), pelo que pensei que seria uma boa ideia analisar o percurso e tentar dar algumas dicas das melhores maneiras de o abordar, sobretudo de uma perspectiva de evitarmos lesões e potenciarmos os nossos tempos.

 

Mas antes disso há que falar no aquecimento e na partida.

 

Quando chegarem a Algés (ponto de partida) façam um pré-aquecimento. Basta encontrarem uma árvore ou uma parede e fazer os alongamentos de que já aqui falámos. Bastam 2-3 minutos. Não se preocupem muito por terem de arrancar a frio, porque, se partirem de trás, vão ter de andar uns minutos antes de começarem a correr.

 

A partida da Corrida do Tejo ocorre em Algés, perto da estação da CP e é sempre uma grande confusão. Sempre são 10.000 pessoas! Eu vou partir no final do pelotão, com a maioria dos concorrentes, porque os meus tempos nos 10K não são nada de especial, e é de esperar sempre uma partida muito lenta - a andar. Os primeiros minutos são feitos a ultrapassar concorrentes mais lentos e eu aconselho que se coloquem para um dos lados, para terem hipótese de começar sequer a correr.

 

A saída de Algés é fácil e plana, ao lado do percurso do comboio. Os "problemas" começam com a subida do Alto da Boa Viagem (ver imagem em cima, retirada do site oficial da corrida). A subida não é nada de extraordinário, mas o problema é que o esforço em plano não é de todo igual ao esforço em inclinação - particularmente para tendões laterais na anca e nas pernas. Se estiverem, como eu, habituados a um treino regular em plano, não é de todo aconselhável fazer subidas em esforço. É preciso ter calma e desacelerar. Só há duas subidas mais difíceis, esta, logo no início e a outra no final da corrida. Nas duas o meu conselho é mesmo desacelerar e ter calma, mesmo que isso signifique deixar outros passarem por nós - podemos sempre recuperar lugares nos percursos mais planos.

 

O resto do percurso é bastante plano. O importante, quanto a mim, é ir escolhendo o piso. Temos os passeios - pedra mais ou menos regular - e o alcatrão. Eu não sou particular fã do alcatrão, mas isto varia muito de pessoa para pessoa. O meu conselho é irem vendo como o corpo está a responder e sobretudo lerem as vossas próprias reacções musculares. Nas subidas os passeis podem ser uma boa opção - por questões de tracção, mas além disso não há muito mais a dizer.

 

Quanto aos reabastecimentos, há vários ao longo do percurso. Novamente isto pode ser muito subjectivo: eu não bebo água durante uma corrida, mas não posso dizer nada em contrário em termos de saúde física. Na última vez que fiz a Corrida do Tejo servi-me dos abastecimentos sobretudo para refrescar a cabeça e o peito, despejando a água. Mas para pessoas que desidratam com maior facilidade, ou que estão habituadas a distâncias mais curtas que os 10K, a hidratação pode ser muito importante. Como em tudo o que tem a ver com a corrida, o essencial é saberem ler o vosso próprio corpo e sentirem o que ele vos está a pedir.

 

Só uma nota final sobre ritmos.

 

Numa corrida de 10K é impossível ter um ritmo sempre igual. Penso mesmo que seja uma regra para qualquer corrida. É importante ter a noção do que queremos fazer, se queremos só ter o prazer de ver a paisagem e desfrutar e não ligar os tempos, ou queremos uma corrida rápida e eficaz... neste último caso, o meu conselho vai para que se concentrem em aumentar ritmos com a altimetria plana e desacelerarem bastante nas subidas (a menos que tenham treino consistente em piso inclinado/cross country). E nada de explosões finais, porque no final temos uma subida e isso pode causar uma lesão grave nos corredores menos preparados. Mais vale ir acelerando ao longo do percurso - nas descidas e no plano - para depois no final acabarmos com calma.


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publicado por CityJogger, em 05.10.10 às 11:38link do post | favorito

 

Quem corre há algum tempo já começa a conhecer em pormenor o seu próprio corpo. Sabemos bem que há três ritmos de corrida:

  • Easy: ritmo de passeio, onde sentimos que estamos claramente a levar as coisas nas calmas.
  • Medium: ritmo normal, velocidade de cruzeiro, em que fazemos o nosso tempo médio quase sem pensar nisso.
  • Hard: ritmo avançado, nos limites, que é atingido raramente e quase nunca durante uma sessão completa.

Claro que a maioria de nós corre no "medium" a maior parte das vezes, eventualmente andando no "easy" naqueles dias piores, ou quando estamos com uma lesão chata. Mas é bem verdade que é raro atingirmos o "hard". Sabemos que ele está lá - é o nosso limite físico, mas não nos atravemos a ir buscá-lo, a sentir realmente até onde podemos ir.

 

Ora este "medo", ou mesmo preguiça, pode prejudicar e muito a nossa evolução enquanto corredores. Se não conheceres os teus limites, nunca te vais conhecer a ti mesmo, e o teu completo potencial enquanto corredor. Todos nós que corremos, devemos ter a experiência solitária de ir até ao limite do que conseguimos fazer, de bater os nossos próprio recordes, de saber o que valemos enquanto entidade física na duração de um treino muito duro. Porquê? Por duas simples razões:

  • Ir ao limite ajuda-nos a aumentar o nosso ritmo médio. Se conseguirmos correr a distância habitual num bom tempo, eventualmente o nosso tempo médio vai baixar. Se o limite baixar, o tempo médio baixa (o nosso ritmo "medium" baixa). É simples matemática. E este facto ajuda-nos a melhorar a nossa forma todos os dias em que vamos correr.
  • Ir ao limite é também uma maneira de não tornar a corrida aborrecida e fixa. O limite máximo é flexível, embora não infinito, por isso podemos sempre explorá-lo, tirar 1 ou 2 minutos, ou mesmo 10 ou 20 segundos! Este desafio é excitante para quem gosta de correr e gosta de saber o que pode alcançar. E ter noção do limite é também ter noção da nossa competividade. Sermos competitivos, mesmo que solitariamente, ajuda-nos muito em termos de motivação pessoal (para a corrida e para a nossa vida de todos os dias). Um bom corredor nunca se deve acomodar, deve ser dinâmico e motivado.

O meu conselho vai no sentido de escolherem uma das vossas sessões normais de treino, uma daquelas que já fazem em "medium" de olhos fechados e tentarem fazê-la no vosso limite. Como é que sabem que estão a correr no limite? Muito simples: se doer :) Nada mais simples - o limite é doloroso, mas não se deixem impressionar. O corpo está habituado ao "medium" e não seria "hard" se não fizessem um sacrifício. Muita atenção a dores invulgares (sobretudo no peito, mas também nos músculos das pernas e nas articulações); é normal ter dores em "hard", mas se sentirem cansaço invulgar ou dores parem de imediato.

 

Boas corridas!

 

 


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publicado por CityJogger, em 01.10.10 às 21:18link do post | favorito

 

Para quebrar um pouco o ritmo dos posts estritamente dedicados à corrida, venho-vos aconselhar um excelente escritor, que está na senda de diversos escritores que adoram correr. Chama-se Haruki Murakami e o livro traduzido para Português mais famoso dele intitula-se "Kafka à Beira-Mar".

 

Murakami está há alguns anos à beira também do Prémio Nobel e por boas razões. A sua escrita é muito fluida e cheia de pormenores, moderna e viciante. Mas Murakami é interessante por outras razões, nomeadamente por ser um ávido corredor de maratonas. Ele faz questão de dizer que a corrida é essencial na sua rotina de escritor. Aliás, ele começou a correr quando começou a escrever:

 

"As being a writer requires sitting at a desk for hours a day, without getting some exercise you'd quickly get out of shape and gain weight, I figured."

 

Curiosamente a corrida serve-lhe para "esvaziar a cabeça" (como a muitos de nós que corremos):

 

"However, in general, I try to get my mind relaxed and rested while running by not thinking about anything. I run to cool down my nerves that get heated up while writing."

 

Coloquei aqui extractos de uma entrevista que ele deu a um site excelente sobre corrida chamado Runner's World. Recomendo vivamente que leiam a entrevista. E já agora, comprem o livro dele que é inteiramente dedicado ao amor dele pela corrida. Trata-se de Auto-retrato do Escritor Enquanto Corredor de Fundo.




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